Este é um tutorial básico para o desenvolvimento de um osciloscópio caseiro (Faça você mesmo – Do It Yourself, DIY), voltado principalmente para visualização de áudio, utilizando televisores de tubo (CRT). Este tutorial é voltado para pessoas que queiram fazer seu próprio osciloscópio para aplicações de áudio-vídeo ou para “matar a curiosidade” de como fazer um. Já deixo claro aqui que este tipo de osciloscópio que vamos desenvolver é muito limitado para uma aplicação como equipamento de eletrônica, mas que é excelente para visualização de áudio e para desenhos em tela. Mesmo que não seja nenhuma novidade explicar como fazer um osciloscópio caseiro, não encontrei nenhum tutorial muito explicativo de como fazer um no nosso idioma (português brasileiro), então resolvi arriscar fazer um por conta e apresentar alguns recursos para tal. Não vou focar em certas questões técnicas sobre o funcionamento de osciloscópios e de televisores CRT, pois foge do escopo do o que vamos tratar aqui e vocês podem encontrar uma enorme documentação deste assunto na web. Nosso tutorial se divide em 4 partes:
- O que é um osciloscópio?
- Quais os equipamentos e componentes necessários?
- Como fazer?
- Referências relevantes
Ao final, acredito que teremos uma boa base para a construção de seu próprio osciloscópio.
1. O QUE É UM OSCILOSCÓPIO?
Para a área de eletrônica, de modo simplificado e resumido, um osciloscópio pode ser compreendido como um equipamento, instrumento, tecnologia ou, melhor dizendo, ferramenta (uma tecnologia que dá suporte a uma ação) que serve para visualizar, medir e analisar sinais elétricos. De modo mais simples ainda, podemos entender como uma ferramenta que serve para visualizarmos como os sinais elétricos variam de acordo com o tempo. Originalmente, os osciloscópios foram desenvolvidos utilizando Tubos de Raios Catódicos (Cathode Ray Tube – CRT), que nada mais são do que os monitores das nossas antigas televisões, também conhecidas como TVs de Tubo. Mas, como se dá a formação da imagem nesses aparelhos CRT?
Em uma explicação simplificada sobre o funcionamento do CRT, que serve tanto para osciloscópios quanto para aparelhos televisores, podemos pensar no seguinte. A tela em si possuí um vidro e uma camada normalmente revestida de fósforo. Esse fósforo, quando excitado eletricamente, brilha, ascende. No caso, como é um aparelho televisor em preto e branco. Conforme a intensidade, quantidade de energia que recebe o fósforo da tela, ele ascende mais ou ascende menos, chegando totalmente ao branco, tons de cinza ou preto. Além disso, logo atrás da nossa tela, teremos uma duas placas defletoras, que vão direcionar os elétrons no eixo vertical e horizontal. Tal encaminhamento dos elétrons nesses dois eixos, somado a intensidade que o fósforo ascende, que dará a noção de imagem. Atrás disso, atrás das placas deflectoras temos uma bobina que centraliza o feixe de elétrons que serão disparados em nossa tela, de modo que estes cheguem de maneira uniforme antes de serem distribuídos. Atrás dessa bobina temos um canhão de elétrons que dispara o nosso feixe de elétrons. Este canhão basicamente funciona a partir de uma válvula que converte a eletricidade em um feixe de elétrons que será disparado para frente. Ou seja, temos algo que converte energia em um feixe de elétrons, que são disparados para frente, centralizados, distribuídos em eixos vertical e horizontal e, por fim, os elétrons excitam a camada de fósforo na tela. O esquemático abaixo explicita visualmente o que expliquei de maneira simplificada nesse parágrafo.

Diagrama em corte de um tubo de raios catódicos de deflexão eletrostática de um osciloscópio típico. 1. Placas defletoras horizontais e verticais 2. Canhão de elétrons 3. Feixe de elétrons 4. Bobina de centralização do feixe 5. Face interna da tela, revestida de fósforo. Imagem licenciada sob Creative Commons BY-SA 3.0. Fonte: Wikipédia, https://pt.wikipedia.org/wiki/Tubo_de_raios_cat%C3%B3dicos#/media/Ficheiro:CRT_oscilloscope.png
Além disso, para a formação da imagem na tela, teremos um ponto formado pelo feixe de elétrons, com coordenadas x e y (horizontal e vertical, também descritos como hs e vs, ou hsync e vsync – horizontal sync e vertical sync) que varre a tela inteira em um movimento de zig-zag, indo da esquerda para a direita e de cima para baixo, indo até do começo ao final de uma linha e indo para a próxima linha, até chegar ao final da tela e repetindo tudo novamente de seu começo. Este ponto é muito pequeno e percorre a tela a uma velocidade tão alta que somente percebemos seu traço, uma imagem final. Isso acontece “enganando” o nosso cérebro e olhos com a velocidade do ponto, um fenômeno que conhecemos como persistência da visão.
Esquemático mostrando como o ponto percorre a tela do aparelho CRT. Fonte: https://courses.csail.mit.edu/6.111/f2008/handouts/L12.pdf
Toda a movimentação deste ponto em tela ocorre por meio de um conjunto de componentes eletrônicos que criam ondas que alteram tanto as coordenadas em hs quanto em vs. Não sendo definido pelo aparelho, podemos modificar o movimento em hs ou vs a partir de sinais elétricos vindos de qualquer outro aparelho, como é no caso de um osciloscópio.
Para profissionais da área de eletrônica, os equipamentos de osciloscópio são fundamentais para o estudo de circuitos eletrônicos, seja para aprender sobre o funcionamento de um circuito pré-existente, ou para a análise de um circuito em desenvolvimento. É comum que os osciloscópios comercializados para este tipo de aplicação, eletrônica, sejam repleto de funções de visualização de ondas.

Exemplo de osciloscópio profissional para área de eletrônica e eletrotécnica. Fotografia de um osciloscópio da marca Tektronix, TDS 210. Fonte: Por smial – Obra do próprio, FAL, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=3363366
Além da aplicação prática para a área de eletrônica, a ideia de visualizar sinais elétricos a partir de um monitor CRT, deu espaço para experimentações nas mais diversas áreas, como a de videogames e música-vídeo.
Dentro da história dos jogos eletrônicos, o uso de osciloscópios para geração de gráficos é uma pedra fundamental. Um dos primeiros registros de jogos eletrônicos seria o Tennis for Two, desenvolvido pelo físico William Higinbotham em 1958. O jogo é extremamente simples, consistindo no desenho de uma vista lateral de uma quadra, da representação de uma rede ao meio do campo e da representação de uma bola que pode ser rebatida para os dois lados. O controle da bola é realizado por um joystick que se vale de um potenciômetro e um botão.
Vídeo exemplificando Tennis for Two. Vídeo “Tennis for Two (1958) – First Tennis Video Game” disponibilizado na plataforma Youtube pelo canal Ultimate History of Video Games, https://youtu.be/6QYNlPLzj90?si=2QJXxp821JgrBCFE
Um videogame conhecido por ser desenvolvido com base nessa tecnologia dos osciloscópios foi o Vectrex, lançado em 1982. O console se valia da mesma ideia do funcionamento dos osciloscópios para geração de imagens e os desenvolvedores de jogos para o console utilizavam-se do espaço limitado de desenhos, com somente linhas de mesma cor e sem preenchimento, para criar tanto jogos em 2D quanto em pseudo3D, o que na época apresentava-se como muito avançado, mas que não fez muito sucesso devido a outros fatores. Além disso, era possível utilizar uma caneta para desenhar na tela e fazer animações em alguns jogos.
Vídeo exemplificando o funcionamento do Vectrex e exemplo de jogos. Vídeo “Vectrex (1982) Library | Trying all 29 Games” disponibilizado na plataforma Youtube pelo canal FrameRater, https://youtu.be/AKf-k2IjUOo?si=sDCVZeMXwcz-fST8
Até o momento ainda existem pessoas fazendo jogos utilizando osciladores, inclusive fazendo ports de outros jogos, como no caso do Doom.
Exemplo de port do Doom para jogar em osciloscópios. Vídeo “Doom on an Oscilloscope (Tektronix 2220)” disponibilizado na plataforma Youtube pelo canal MrSlehofer, https://youtu.be/OU16lIx_pC8?si=1aWZHGDUzhG6wZpG
Já no empenho de música-vídeo, os osciladores desempenham um papel importante tanto para a visualização de áudio quanto para o surgimento dos sintetizadores de vídeo. Normalmente, para as pessoas ligadas as artes, atribui-se o nome da técnica que utiliza-se do uso de osciloscópios para criação de imagens de Oscilografia (Oscillographics) e, comumente, quando tratamos da aplicação da técnica para a síntese de vídeos, atribui-se o nome de síntese vetorial (vector synthesis), já que utiliza-se de funções matemáticas para a geração de sons e dos desenhos. Uma das pioneiras e muito possivelmente a primeira pessoa a utilizar a técnica de oscilografia para síntese de vídeo e aplica-la as artes, é Mary Ellen Bute (1906-1983).

Fotografia de Mary Ellen Bute utilizando um osciloscópio para geração de imagens. Imagem retirada de: Lyle, C. L. (1981). Special Film Issue – Women in Film, Part I. Women Artists News, v.7 (2), 1-32.
https://www.jstor.org/site/reveal-digital/independent-voices/womenartistsnews-27954031/.
Bute já vinha realizando experimentos de pinturas sobre películas para realizar o que era intitulado como Música Visual (Visual music) e, em meio a essa proposta, incorporou formas geradas a partir de osciloscópios.
Exemplo de trabalho de Mary Ellen Bute realizando uma síntese de vídeo por meio de osciloscópio e combinando com outras técnicas de animação. Trabalho “Abstronic” (1952). Disponibilizado na plataforma Youtube pelo canal RAY CATHODE, https://youtu.be/9kM1qALhQag?si=E6dRYtE9IL1LaeGS
Além de Bute, outros/as artistas realizaram trabalhos utilizando osciloscópios para aplicação para o desenvolvimento de imagens. Por exemplo, Ben F. Laposky foi um dos artistas que utilizou extensivamente a oscilografia para produzir imagens, chamando a técnica de “composições elétricas” (electrical compositions). Laposky gerava as imagens em um osciloscópio e capturava utilizando uma câmera fotográfica.

Exemplo de trabalho realizado por Ben Laposky com osciloscópio, Oscillon 4 (1952). Imagem encontrada em Computer History Museum, https://www.computerhistory.org/revolution/computer-graphics-music-and-art/15/208
A técnica de oscilografia se estende a outros artistas muito pioneiros nas artes eletrônicas e vídeo, como Manfred Mohr, James Whitney, Nam June Paik e entre tantos outros que construíram carreira entre o início da década de 1950 e final da década de 1970.
Atualmente, os usos de da técnica de osciloscopia segue com combinações fortemente associadas a ideia de se “desenhar com música” e, tal como ocorria na metade do século passado, é muito comum se realizar esse tipo de desenhos misturando outras técnicas/tecnologias, como sintetizadores de áudio e uso de computadores.
Exemplo de criação de oscilografia. Neste vídeo acima, estão utilizando um osciloscópio e um software que se conecta ao software de modelagem 3D blender para compor sons e imagens. Disponibilizado na plataforma Youtube pelo canal SmarterEveryDay, sob o título “This is Music On An Oscilloscope – (Drawing with Sound) – Smarter Every Day 224“, https://youtu.be/4gibcRfp4zA?si=UFGsnMTVPv5qGPmS
2. QUAIS OS EQUIPAMENTOS E COMPONENTES NECESSÁRIOS?
Aqui nós vamos precisar do seguinte:
- Televisão de tubo (CRT). Nós iremos modificar internamente essa televisão, então escolha uma que você não tenha muito apreço;
- Um amplificador de sinal. Pode ser uma caixa de som qualquer, até mesmo dessas para computadores, mas que tenha saída para fones de ouvido ou saída para caixas auxiliares;
- Um cabo de jacaré ou cabo para eletrônica. Esse será necessário para descarregarmos a televisão para não tomarmos nenhum choque. Se você não tiver nenhum cabo de jacaré e somente um cabo de cobre normal, vai dar certo da mesma forma;
- Cabos para eletrônica. Pode ser qualquer cabo de cobre que não seja muito espesso. Isso será necessário caso os próprios cabos que vamos cortar não tenham o tamanho necessário para chegar ao fundo da sua televisão, ou a frente, para instalação do jack de áudio;
- Jack de áudio fêmea. Pode ser p10 ou p2, mas de preferência a um jack que seja mono. Se você utilizar um estéreo vai dar certo também, mas deve ficar atento/a as ligações, posicionando um ao gnd e outro em qualquer um dos outros pontos;
- Cabos de áudio. Tenha em mãos um cabo p2 ou p10 que seja compatível a caixa de som e ao que você colocou no televisor de tubo. Se as pontas não combinarem, certifique-se de ter em mãos um adaptador;
- Ferro de solda. Certifique-se de estar utilizando um que seja adequado, algo como 30w ou 40w, para não queimar nenhum componente;
- Estanho para solda. Utilize um estanho que seja adequado para componentes eletrônicos. Algumas pessoas utilizam estanho que é feito para outras finalidades e se frustram com um resultado terrível. Vejam a quantidade de estanho, fluxo e outros metais para ter certeza;
- Multímetro. Utilizaremos o multímetro para o teste de continuidade. É possível utilizar uma bateria, alguns cabos e um led para isso também, joguem no google que aparecem várias gambiarras para isso;
- Uma chave de fenda. Utilizaremos uma chave de fenda para descarregarmos o nosso aparelho televisor; e
- Jogo de chaves. Recomendo fortemente ter em mãos um jogo de chaves para podermos abrir qualquer parafuso diferente que iremos encontrar em nossa televisão.
3. COMO FAZER?
A primeira coisa que precisamos fazer é encontrar alguma televisão ou monitor CRT e ligar para vermos se está funcionando. Quando digo funcionando, não seria ver se tudo está perfeitamente calibrado, mas sim se ela liga e se, pelo o menos, exibe alguma imagem de estática. Pode ser qualquer aparelho CRT, independente da marca e tamanho.
Depois de verificarmos que a televisão liga e está funcionando, vamos desconecta-la da tomada e abri-la, para termos acesso ao seu interior e, com isso, podermos realizar nossa “cirurgia” na tv. Certifique-se que a TV não está ligada a tomada durante esta etapa, pois assim evitaremos eventuais choques elétricos, assim como danificar componentes eletrônicos. Também tenha a certeza que todos os parafusos que seguram a carcaça sejam removidos, para não danificarmos nosso aparelho. Além dos parafusos, alguns aparelhos podem conter alguns encaixes que impedem a abertura. Recomendo que, caso contenham esses encaixes, utilize um cartão de crédito velho que seja passado pela abertura, afim de empurrar a trava para a posição de aberto.
Legal, a tv está aberta, mas não vai sair metendo a mãozona!
Aqui poderemos ver inúmeros componentes, capacitores, resistores, trimpots, mosfets, etc. Porém, antes de tocarmos em qualquer coisa, precisamos descarregar a nossa televisão. Nossa tela trabalha com alta voltagem e ocasionalmente tocar em qualquer parte da TV pode causar um choque que LITERALMENTE deixar de cabelo em pé, queimaduras graves, parada cardio-respiratória e entre outras possíveis fatalidades…. Mas isso é fácil de evitar.
Para descarregarmos nossa TV, vamos pegar um cabo de cobre (também pode ser um cabo de jacaré bem emborrachado) e conectar a uma chave de fenda que tenha um cabo emborrachado. Na outra ponta vamos conectar a alguma parte de metal da carcaça do aparelho. Depois, com a ponta da chave de fenda, vamos enfia-la dentro de uma borrachinha que têm na parte de trás da tela. Dentro dessa borracha existem dois pinos de metal. Quando encostarmos nesses pinos com a ponta da chave, é possível que dê para ouvir uns barulhos (pop, pop pop). Se isso acontecer, ou não, mantenha a calma, é algo comum, já que seria uma alta carga de energia sendo descarregada. Fique alguns segundos encostando a chave e, em seguida, pode retira-la, mas mantenha o cabo conectado na carcaça.
Legal, a tv está aberta, mas não vai sair metendo a mãozona!
Aqui poderemos ver inúmeros componentes, capacitores, resistores, trimpots, mosfets, etc. Porém, antes de tocarmos em qualquer coisa, precisamos descarregar a nossa televisão. Nossa tela trabalha com alta voltagem e ocasionalmente tocar em qualquer parte da TV pode causar um choque que LITERALMENTE deixar de cabelo em pé, queimaduras graves, parada cardio-respiratória e entre outras possíveis fatalidades…. Mas isso é fácil de evitar.
Para descarregarmos nossa TV, vamos pegar um cabo de cobre (também pode ser um cabo de jacaré bem emborrachado) e conectar a uma chave de fenda que tenha um cabo emborrachado. Na outra ponta vamos conectar a alguma parte de metal da carcaça do aparelho. Depois, com a ponta da chave de fenda, vamos enfia-la dentro de uma borrachinha que têm na parte de trás da tela. Dentro dessa borracha existem dois pinos de metal. Quando encostarmos nesses pinos com a ponta da chave, é possível que dê para ouvir uns barulhos (pop, pop pop). Se isso acontecer, ou não, mantenha a calma, é algo comum, já que seria uma alta carga de energia sendo descarregada. Fique alguns segundos encostando a chave e, em seguida, pode retira-la, mas mantenha o cabo conectado na carcaça.
Em seguida, vamos localizar quatro pontos em nossa próximos a bobina do televisor. Desses quatro pontos, dois são responsáveis pelo Hs e dois pelo Vs. Mantendo a chave ligada por um fio a carcaça, vamos encostar a ponta da chave em cada um desses pontos, para termos certeza que descarregamos completamente o local onde faremos nossa interferência.
Após termos descarregado nossa TV, vamos ter que descobrir os dois cabos de hs e vs. Para sabermos quais pontos estão ligados entre si, vamos realizar um teste de continuidade usando o multímetro. Para isso, vamos colocar o multímetro na posição que têm um ícone de áudio. Quando encostarmos os dois polos o multímetro chegará a zero, ou em um número muito próximo a zero, e, ao mesmo tempo, vai disparar um som. Vamos agora com uma ponta em uma das extremidades apontadas no passo anterior e em outra dessas quatro pontas. Quando multímetro apitar, teremos descoberto qual o nosso par para hs e para vs.
O próximo passo basicamente conta com a sorte para acertar de primeira. Vamos seguir os fios conectados em hs e vs até a base conectada na placa. Quando encontrarmos onde os fios estão conectados, vamos ter que cortar um dos pares e, em seguida, ligar nossa tv. Certifique-se de deixar uma boa sobra de cabo caso seja necessário remendar os fios. O sinal que queremos cortar são relativos ao sinal hs que batem com o teste de continuidade. No caso de televisores de tubo pequenos, 5 polegadas, como na tv utilizada no nosso tutorial, o mais comum é que sejam os dois polos mais próximos da válvula, aquela parte de vidro que parece uma lâmpada — mas isso varia de aparelho para aparelho. De qualquer modo, se, depois de cortar o cabo você ligar a tv e ver uma linha na vertical (de cima para baixo) na tela, tudo ocorreu perfeitamente bem. Se você ligar a tv e estiver com uma linha na horizontal (da esquerda para a direita), você cortou os fios errados, mas isso não é problema algum. Basta descarregar novamente sua tv, remendar os fios que foram cortados, isolá-los com fita isolante e cortar os outros dois fios (remendando corretamente, você terá o sinal no sentido certo).
Depois de visualizarmos nossa linha cortando a tv ao centro, certifique-se de desligar novamente a TV e descarrega-la novamente!
Agora que cortamos estes cabos, vamos solda-los a um jack p2 ou p10 (o que você tiver disponível). Tanto faz qual das pontas dos cabos você vai colocar na parte de gnd e da ponta do jack. O que importa é que os dois fios sejam conectados a uma entrada que seja compatível para mandarmos um sinal de áudio. Depois vamos colocar esse jack na parte de trás da carcaça da TV. Se a sua não tiver nenhum furo disponível, como no caso da minha, sugiro realizar um furo com uma furadeira ou parafusadeira.
Vamos começar descascando os dois fios. De preferencia, utilize um alicate próprio para isso. Depois, com um ferro de solda e estanho, estaneie a ponta desses fios. Depois solde ao jack e coloque no furo da TV que já existe ou que você fez.
Como último passo, vamos ter que inverter nosso tubo da vertical para horizontal. Para isso, somente é necessário soltar um parafuso de uma braçadeira que está próximo a valvula. Então, segurando na haste de plástico atrás da bobina, gire-a em 90 graus. Faça isso com bastante cuidado para não danificar a tv. FAÇA ISSO COM A TV DESLIGADA!
Depois ligue a tv e veja se ficou bem alinhado. Estando tudo certo, podemos finalmente fechar e parafusar a carcaça da TV.
Nosso osciloscópio agora está pronto para uso!
Para utilizarmos, primeiro é necessário ligar a TV recém modificada.
Depois, temos que utilizar algum amplificador, pois o sinal têm que estar um pouco mais alto. Uma caixinha de som de computador é mais do que o suficiente para esse propósito.
Em seguida, ligamos esse amplificador a alguma fonte, como celular, aparelho mp3, algum instrumento, um computador, etc.
Agora é só dar play em um som e pronto, estará funcionando perfeitamente bem.
Boa diversão! 🙂
4. REFERENCIAS RELEVANTES
Outros tutoriais em vídeo de osciloscópios caseiros com monitores CRT
Como converter uma TV CRT em um osciloscópio. Canal inventor KR
<https://youtu.be/vHvbCWVtPzY?si=4g8-fA8uZaPAQv9y>
Oscilloscope From an Old Television. Canal TheBackyardScientist
<https://youtu.be/nAzQsl3gKMY?si=d0Y0jhVPMUdBeXDw>
How to make a waveform visualizer. Canal SciCynical Inventing
<https://youtu.be/z4DCJFUoIVs?si=nJ9IvRYF1RwZworj>
Turn an old TV into an Oscillograph For Oscillographics!. Canal Look Mum No Computer
<https://youtu.be/QWh4wcPNwgM?si=KB8gaxn5p8j3kP8v>
Outro tutoriais escritos sobre como fazer um osciloscópio caseiro
Vect a Sketch. Sítio do Lofi Future
<https://www.lofifuture.com/vect-a-sketch>
DIY Single-Axis CRT Oscilloscope. Tutorial de uri tsurim na plataforma Instructables
<https://www.instructables.com/DIY-Single-Axis-CRT-Oscilloscope/>



