Este é um tutorial básico para o desenvolvimento de um equipamento de vídeo caseiro (Faça você mesmo – Do It Yourself, DIY) chamado de Dirty Video Mixer (DVM), que nada mais é que um mixer, misturador de sinais, passivo (sem a necessidade de uma alimentação externa – sem necessidade de pilhas, fontes ou qualquer entrada de energia externa) e de dois canais de vídeo de entrada com um de saída. Mesmo sendo muito popular para a comunidade internacional de pessoas que desenvolvem circuitos para vídeo, ainda não encontramos nenhum tutorial de como construir um traduzido para Português BR. Então eis aqui uma oportunidade para apresentar aos falantes da nossa língua como construir um. O nosso tutorial está dividido em três (3) partes:
- Sobre o Dirty Video Mixer
- Quais os equipamentos e componentes necessários?
- Como fazer?
1. SOBRE O DIRTY VIDEO MIXER
Conforme mencionamos no começo de nosso tutorial, o Dirty Video Mixer (DVM), pode ser compreendido como um mixer passivo de dois canais. Porém, diferente de um mixer de vídeo convencional, em que se realiza uma transição de um vídeo para o outro de modo “limpo”, sem qualquer tipo de interferência, ou pouca interferência no sinal, o DVM cria uma camada de texturas de glitch e “fantasmas” (sinais de interferência de um segundo sinal de vídeo) provenientes de dois sinais de vídeo sobrepostos, em conflito. Nesse caso, o DVM se apresenta como um equipamento interessante para experimentações em video-arte, já que, o mesmo, serve para adicionar texturas na edição de vídeos. Outro ponto que torna versátil o uso deste mixer é que, utilizando somente uma fonte de vídeo, ele serve para remover algumas qualidades de contraste e saturação do vídeo, sendo este efeito causado por reduzir a “força” do sinal de vídeo, deixar ele mais fraco. Por fim, o DVM é talvez um dos esquemáticos mais fácil de se construir e extremamente barato, o que é ideal para iniciantes.
A ideia do circuito foi concebida pelo artista eletrônico Karl Klomp e disponibilizada em seu sítio pessoal (ver esquemático abaixo). Como o DVM é extremamente simples, ficou muito conhecido pela comunidade de vídeo, sendo amplamente reproduzido e utilizado para videoarte – sendo este construído conforme o esquemático original, ou com algumas modificações.

O desenho original, mesmo sendo extremamente simples, é um pouco confuso. Para ficar mais compreensível e facilitar um pouco nossa vida, o refiz no Fritzing:
2. QUAIS OS EQUIPAMENTOS E COMPONENTES NECESSÁRIOS?
Para construir um DVM, podemos utilizar materiais novos ou reaproveitar componentes de lixo eletrônico, como fiz para esse tutorial. De materiais, vamos precisar de:
1x Potenciômetro Linear de 1kΩ;
2x Chave liga/desliga (on/off) de duas posições e 3 pinos (pesquisem por chave SPDT ou Toggle Switch);
3x Jack RCA Fêmea – ou pode ser utilizado um jack RCA fêmea de 3 vias;
4x Cabo 0,10mm para eletrônica (sugiro tenham em mãos cabinhos de cores diferentes, 3 ou 4 cores para não nos perdermos);
1x Carcaça (pode ser qualquer caixinha, lata de atum, algo impresso em 3D, caixa de MDF, ou qualquer coisa que possamos colocar nosso circuito dentro);
1x Tubo de estanho (precisaremos de um pouquinho de estanho para solta, use um estanho para eletrônica); e
1x Pasta de Solda (opcional, mas ajuda muito na hora de soldar).
Também precisaremos dos seguintes equipamentos:
1x Ferro de solda (que seja entre 25w a 40w de preferência);
1x Jogo de chaves de fenda (opcional, depende da sua carcaça)
1x Descascador de cabos (opcional, mas facilita muito o trabalho);
1x Tesoura (opcional, depende da carcaça que você vai usar);
1x Estilete (opcional, depende da carcaça que você vai usar);
1x Furadeira (opcional, depende da carcaça que você vai usar); e
1x Cola quente (opcional, depende dos componentes e carcaça que você vai usar).
Tendo elencado nossos materiais e equipamentos, vamos agora para a parte de montagem.
2. COMO FAZER?
Vamos começar reunindo primeiro os nossos componentes. Como foi mencionado no tópico anterior, precisaremos de um potenciômetro de 1k, duas chaves liga/desliga com três terminais, três jacks RCA (ou um jack RCA de três vias), alguns cabinhos coloridos e alguma carcaça para colocarmos nosso circuito. Aqui coloquei algumas opções de jacks RCA e de chaves para ilustrar a variedade que poderemos encontrar esses componentes. Estes são alguns modelos, mas qualquer um desses ou outro que você tiver disponível vai funcionar (até mesmo se você cortar cabos RCA e solda-los vai dar certo).
Nesse tutorial eu optei por componentes que encontrei em lixo eletrônico – são peças muito frágeis, de qualidade muito duvidosa, mas optei em utiliza-las para dar uma segunda vida a elas e provar que é possível construir um desses com custo praticamente zero (não digo zero pois no potenciômetro paguei 3 reais, devo ter utilizado um real de estanho, mais uns 5 de energia elétrica na soldagem, mais um real de desgaste do ferro de solda, chegaria mais ou menos a uns 10 reais no total, sem contabilizar minha mão-de-obra).
Com relação a carcaça, aqui eu utilizei um pote de brinquedo que seria jogado no lixo (que seria zero reais, assim como o conector RCA de três vias que retirei de um conversor de sinal ufh para digital que estava estragado e as chaves tiradas de brinquedos também estragados). Vejam que, logo abaixo do pote eu mostro uma outra versão do Dirty Video Mixer. Esta outra versão branca, com uma carcaça impressa em 3D, teve um custo muito mais elevado, mas ficou uma versão plenamente comercializável – talvez, somando componentes, mais minha mão de obra, totalizaria perto de 200 reais, mas têm uma qualidade infinitamente superior em durabilidade e uso. Mas o ponto é: se você tiver esses componentes, é muito fácil de fazer você mesmo, ou usar para fazer alguma oficina.
Vejam abaixo como posicionei os componentes em relação ao esquemático – esse posicionamento ajuda bastante a entender como iremos unir os componentes. Se estivéssemos utilizando três jacks RCA de uma via (uma entrada), seria necessário fazer uma ligação entre os três em sua parte exterior (aterramento – ground, gnd). Como aqui vamos utilizar um de três vias, os três pontos já são aterrados, então não precisamos nos preocupar com essa ligação de aterramento (GND). Para deixar o mais claro possível, nos jacks RCA o aterramento seria o que é da parte de fora. As outras conexões são relativas aos pinos de dentro dos jacks (OK?).
Antes de soldarmos qualquer componente, vamos primeiro preparar a carcaça. Vamos pensar em algum posicionamento para os componentes e fazer furos na carcaça para que eles possam ficar bem posicionados para uso, assim como para que caibam sem encostar um no outro. Como o material que utilizei para o tutorial era um pouco mais maleável, utilizei uma tesoura e um estilete para fazer os furos. Se você for utilizar um material mais rígido, utilize uma furadeira. Depois de feitos os furos, vamos fixar os componentes.
Agora vamos para a parte de conectar os componentes por meio da solda. Vamos primeiro ligar o ferro e esperar ele esquentar. Enquanto isso, caso você tenha a mão pasta de solda, aplique um pouco em todos os terminais que serão soldados. Também corte os cabos com um comprimento suficiente para ligar os pontos (não deixe nenhum fio muito longo, pois depois ou não vai caber dentro da carcaça ou vai dobrar de mais a ponto de quebrar o fio e os pontos de solda e nem muito curto, pois senão você terá dificuldades em alcançar algum componente, ou abrir a carcaça sem danificar o circuito). Sugiro começar soldando a parte das chaves e potenciômetros para somente depois soldar nos jacks RCA.
Depois de soldar todos os pontos e fechar a carcaça, nosso Drity Video Mixer está pronto!
Agora vem a hora da verdade: ver se está funcionando.
Para ligar nosso aparelho, somente é necessário utilizar dois aparelhos que tenham saída de vídeo RCA e um monitor ou placa de captura com entrada RCA. No tutorial eu utilizei um PlayStation 2 e um aparelho DVD para os sinais de vídeo e uma televisão CRT, mas nada impede de utilizar qualquer outros aparelhos para os sinais de vídeo (e.g. reprodutores de VHS, aparelhos de Blue Ray, video games, câmeras, etc). Em relação a onde conectar, o pino do meio deve ser o que dá saída ao monitor, enquanto os conectores da esquerda e da direita seriam os para entrada de dois sinais vindo de outros aparelhos.
Caso não esteja funcionando adequadamente, abra novamente a carcaça e verifique se não têm nenhum fio solto, alguma solda fria ou qualquer componente desconectado. Para testar, é possível utilizar um multímetro em teste de continuidade, verificando se o sinal não está sendo interrompido em qualquer ponto. Também é uma boa ideia ver se os componentes estão funcionando devidamente. Veja se o potenciômetro ou as chaves estão funcionando de modo adequado. No mais é isso.
Até uma próxima e divirtam-se 🙂



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